Multidisciplinaridade.
Sua descrição geral evoca uma gama de disciplinas propostas
simultaneamente, mas sem fazer aparecer diretamente as
relações que podem existir entre elas. É um tipo de sistema
de um só nível e de objetivos múltiplos; não há nenhuma
cooperação entre as disciplinas (Japiassu, 1976). Pode-se
pensar no seguinte exemplo: em um hospital, vários
profissionais estão reunidos, mas trabalham isoladamente.
O paciente passa por uma contagem de linfócitos, em seguida
é atendido pelo oncologista e, finalmente, dirige-se à sala de
quimioterapia. Neste caso não há contato entre os
profissionais envolvidos no atendimento: o bioquímico da
contagem de linfócitos, o médico oncologista e a enfermeira
que cuida da quimioterapia não estão articulados entre si de
modo que apareçam relações entre as disciplinas. A ausência
de uma articulação não significa, no entanto, uma ausência
de relação. O fato é que os profissionais, nesse caso, estão
inseridos em um esquema automático, o qual não gera
espaço para uma articulação como em outras modalidades
da disciplinaridade
Pluridisciplinaridade.
Sua descrição geral envolve a justaposição de diversas disciplinas situadas
geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas de
modo que apareçam as relações existentes entre elas. É um
tipo de sistema de um só nível e de objetivos múltiplos; há
cooperação, mas sem coordenação (Japiassu, 1976).
Quando, por exemplo, um paciente procura atendimento
psiquiátrico e, após receber orientação e prescrição
psicofarmacológica, é encaminhado, pelo próprio psiquiatra,
a um psicólogo para um trabalho de psicoterapia. Os
profissionais cooperam, mas não se articulam necessariamente
de maneira coordenada. Nesse caso, a cooperação não é
automática, mas cumpre a finalidade de estabelecer contatos
entre os profissionais e suas áreas de conhecimento
Interdisciplinaridade
a descrição geral envolve uma axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e
definidas em um nível hierárquico imediatamente superior,
o que introduz a noção de finalidade. É um tipo de sistema
de dois níveis e de objetivos múltiplos com a coordenação
procedendo de nível superior (Japiassu, 1976). Pode-se pensar
no exemplo de uma equipe para atendimento ambulatorial
de gestantes adolescentes de baixa renda. A equipe é formada
por um médico pediatra, um médico psiquiatra, um
psicólogo, um assistente social, uma psicopedagoga, uma
enfermeira e uma secretária. Cada área mencionada agrega
ainda estudantes que realizam estágio no ambulatório.
Todavia, o que prevalece é o saber médico, cabendo a
coordenação e a tomada de decisão aos profissionais da área
médica, que dirigem e orientam a equipe em seu trabalho
Transdisciplinaridade
a descrição geral envolve uma coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas em
um sistema de ensino inovado, sobre a base de uma
axiomática geral. É um tipo de sistema de níveis e objetivos
múltiplos. A coordenação propõe uma finalidade comum
dos sistemas (Japiassu, 1976). Numa equipe de posto de
saúde, por exemplo, encontram-se diversos profissionais
reunidos. Pode-se tomar como exemplo a equipe que recebe
pacientes com problemas mentais. Esta equipe, muito
provavelmente, reunirá profissionais como psicólogos,
psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, fonaudiólogos,
fisioterapeutas, neurologistas, clínicos gerais, etc. Quando o
paciente chega para uma avaliação todos irão assisti-lo e
buscarão formular um diagnóstico acerca do caso. Para que
esse diagnóstico seja dado em situação de
transdisciplinaridade não basta apenas que cada profissional
opine a partir de sua área e, finalmente, um tratamento seja
indicado. Para que a configuração transdisciplinar seja
alcançada é preciso que esses profissionais,
fundamentalmente, estejam reciprocamente situados em sua
área de origem e na área de cada um dos colegas (Iribarry,
2002).
Para que a configuração transdisciplinar se torne
verdadeira é preciso que o psicólogo, por exemplo, seja
introduzido na área de seu colega assistente social e na área
de seu colega psiquiatra e vice-versa. Ademais, é preciso
que cada problema não solucionado em uma das áreas
seja levado para uma área vizinha e, assim, seja submetido
à luz de um novo entendimento (Caon, 1998). Quando,
hipoteticamente, um psicólogo percebe a insuficiência de
seus paradigmas no trabalho com o autismo, ele poderá
propor ao seu colega neurologista um desafio. Que ali onde
a psicologia não consegue formular uma intervenção (e o
que resulta disso é uma interrogação), a neurologia possa,
com a ajuda das demais áreas que compõem a equipe, iluminar
o caminho com alguma proposta de intervenção. Esta é a
situação paradigmática para geração de novos dispositivos
para o trabalho com o autismo, por exemplo. Todavia, é
preciso que psicólogo e neurologista se coloquem
humildemente à disposição um do outro e do caso, evitando
demorar-se na comum posição de discutir algumas
incompatibilidades que podem surgir entre as duas áreas.
Nosso exemplo apresenta dois profissionais apenas, mas é
importante salientar que isso vale para todos os encontros
possíveis entre as áreas que compõem uma equipe de trabalho

Nenhum comentário:
Postar um comentário