domingo, 6 de julho de 2008

Na contra-mão do pensamento



Andar na contra-mão do pensamento, sentir o perigo que excita, que provoca, arrisca.

Andar pelo avesso, do avesso. Parar e pensar, não fazer simplesmente nada por fazer. Parar e gritar –Por quê?

Liberte seu daimon, não tenha medo, tente. Contudo, não pense que estou aqui falando de demônios, não estou falando para ninguém liberar seu lado nefasto, pelo contrário. Em grego clássico daimon é anjo bom, gênio protetor. E é tal ser que leva as pessoas a eudaimonia, ou seja, a felicidade.

Proponho que assumam felizes o pensar diferente, assumir que não entendem o que para todos parece óbvio. Devemos muito a pessoas que tiveram a audácia e a coragem de agir assim. Olhem para traz e vejam Galileu, um exemplo de pensador na contra-mão. Com um gosto pelo perigo e uma grande crença em suas idéias. Ele foi contra uma realidade existente, na qual todos acreditavam e conheciam, ou pelo menos achavam conhecer. Galileu mostrou a fragilidade que há em relação ao que é ou não real O que temos como realidade sempre pode cair, as certezas já não são mais tão certas. Afinal, as coisas são como nós acreditamos que elas são, mas isso não quer dizer que algo é como nós cremos que seja.

Baseado nisso, quero propor uma pergunta, que de início pode parecer até desumana, mas não á vejo como tal, pois o ser humano tem várias facetas, umas virtuosas e outras tenebrosas. Bom, então vamos a pergunta: Se você vivesse na época de Galileu, também não desejaria queimá-lo, ou socá-lo, ou no mínimo xingá-lo? Afinal, seu mundo estaria em risco.

Peço sinceridade nessa reflexão, onde Galileu é, de certa forma, a proposta da destruição do mundo conhecido para encararmos um conhecimento novo, e de tão novo, assustador.


sábado, 5 de julho de 2008


“Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?” (REICH,1974, p.23).

Acabamos por personificar o que Wilhelm Reich, médico, cientista e psicanalista do inicio do século passado, chama de Zé Ninguém, no livro Escuta Zé Ninguém, escrito em 1945. Se preferido, o termo pode ser compreendido como “homem comum”, ou “homem médio”, um homem que por opção não é mais livre.

.Reich nos difere tal tipo de homem dos que ele chama de “grandes homens” da seguinte forma:

Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la;que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar. (REICH,1974, p.23).

Através dos Zés Ninguém que insistem em nos tomar por morada, perdemos a capacidade de enxergar, e de enxergar o que de nós está mais próximo, que, no caso, somos nós mesmos. Reich ao procurar entender esse “homem comum”, esse “homem médio” diz: “... olhando prudentemente em torno, entendi o que te escraviza:” ÉS TU TEU PRÓPRIO NEGREIRO” . (REICH, 1974, p.24). Vale a pena ressaltar que esse homem não é alguém que necessariamente tem um baixo poder aquisitivo. O Zé Ninguém não faz distinções de credo, cor, idade ou classe social. Ele pode ser encontrado em várias localidades. Ele é a opinião pública, ele é o povo, o senso comum, a consciência social.



Siga o mestre

Educação começa em casa!!
O video a seguir pode nos explicar muito bem isso, mesmo que a algum tempo a família seja uma instituição que sofre grandes modificações.