
Andar na contra-mão do pensamento, sentir o perigo que excita, que provoca, arrisca.
Andar pelo avesso, do avesso. Parar e pensar, não fazer simplesmente nada por fazer. Parar e gritar –Por quê?
Liberte seu daimon, não tenha medo, tente. Contudo, não pense que estou aqui falando de demônios, não estou falando para ninguém liberar seu lado nefasto, pelo contrário. Em grego clássico daimon é anjo bom, gênio protetor. E é tal ser que leva as pessoas a eudaimonia, ou seja, a felicidade.
Proponho que assumam felizes o pensar diferente, assumir que não entendem o que para todos parece óbvio. Devemos muito a pessoas que tiveram a audácia e a coragem de agir assim. Olhem para traz e vejam Galileu, um exemplo de pensador na contra-mão. Com um gosto pelo perigo e uma grande crença em suas idéias. Ele foi contra uma realidade existente, na qual todos acreditavam e conheciam, ou pelo menos achavam conhecer. Galileu mostrou a fragilidade que há em relação ao que é ou não real O que temos como realidade sempre pode cair, as certezas já não são mais tão certas. Afinal, as coisas são como nós acreditamos que elas são, mas isso não quer dizer que algo é como nós cremos que seja.
Baseado nisso, quero propor uma pergunta, que de início pode parecer até desumana, mas não á vejo como tal, pois o ser humano tem várias facetas, umas virtuosas e outras tenebrosas. Bom, então vamos a pergunta: Se você vivesse na época de Galileu, também não desejaria queimá-lo, ou socá-lo, ou no mínimo xingá-lo? Afinal, seu mundo estaria em risco.
Peço sinceridade nessa reflexão, onde Galileu é, de certa forma, a proposta da destruição do mundo conhecido para encararmos um conhecimento novo, e de tão novo, assustador.

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