sábado, 5 de julho de 2008


“Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?” (REICH,1974, p.23).

Acabamos por personificar o que Wilhelm Reich, médico, cientista e psicanalista do inicio do século passado, chama de Zé Ninguém, no livro Escuta Zé Ninguém, escrito em 1945. Se preferido, o termo pode ser compreendido como “homem comum”, ou “homem médio”, um homem que por opção não é mais livre.

.Reich nos difere tal tipo de homem dos que ele chama de “grandes homens” da seguinte forma:

Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la;que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar. (REICH,1974, p.23).

Através dos Zés Ninguém que insistem em nos tomar por morada, perdemos a capacidade de enxergar, e de enxergar o que de nós está mais próximo, que, no caso, somos nós mesmos. Reich ao procurar entender esse “homem comum”, esse “homem médio” diz: “... olhando prudentemente em torno, entendi o que te escraviza:” ÉS TU TEU PRÓPRIO NEGREIRO” . (REICH, 1974, p.24). Vale a pena ressaltar que esse homem não é alguém que necessariamente tem um baixo poder aquisitivo. O Zé Ninguém não faz distinções de credo, cor, idade ou classe social. Ele pode ser encontrado em várias localidades. Ele é a opinião pública, ele é o povo, o senso comum, a consciência social.



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