sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Belo Horizonte, 111 anos. Um olhar sobre nossa história.



Entre as alterosas encontra-se uma metrópole diferente, Belo Horizonte, que traduziu e introduziu toda a vocação modernista do final do século XIX, anunciando o que se concretizaria e particularizaria na modernidade do século XX – a arte, a arquitetura e fundamentalmente o urbanismo. Em 1903 o poeta carioca Olavo Bilac dizia: “Como por milagre, no meio de um rude sertão, uma bela cidade moderna, com avenidas imensas, com palácios formosos, com admiráveis parques! Pelas ruas longas e arborizadas, rolam bondes elétricos, lâmpadas elétricas fulguram entre prédios elegantes e higiênicos, motores elétricos põem em ação, nas fábricas, as grandes máquinas cujos ronron contínuo entoa os hinos de trabalho e da paz.[...]”.
Dia 12 de dezembro de 2008, ano que se finda, nossa capital completou 111 anos, uma jovem cidade, que antes de ser o plano que simbolizava o novo, o arrojado, era apenas um Belo Horizonte que o bandeirante João Leite da Silva Ortiz, por volta de 1701, avistou durante sua busca por ouro. Impressionado com os aspectos da topografia, clima ameno e fertilidade do solo na imensa planície que se estendia logo após a Serra do Curral, resolveu lançar, ali, os fundamentos da sua Fazenda do Cercado em cujas terras foi, aos poucos, surgindo o arraial de Curral del Rei.
Durante o mandato do governador interino de Minas Gerais, Augusto de Lima, Curral del Rei passaria a ser Belo Horizonte, capital do estado. Entretanto foi no dia 12 de dezembro de 1897 em ato público solene, presidido pelo Dr. Crispim Jacques Bias Fortes, então Presidente de Minas, que nossa cidade, planejada para ser a capital do
estado, passaria a existir oficialmente. A cidade custou aos cofres do Estado a importância de 36 mil contos de reis.
A escolha de nossa cidade para capital do estado se deu principalmente por suas qualidades climáticas e topográficas. Ficou comprovado que o terreno da cidade era mais seco, portanto não necessitava de prévia drenagem. As condições se prestavam a um sistema perfeito de esgotos e águas pluviais.
Ao ser inaugurada, Belo Horizonte contava com uma população de 10.000 habitantes, num espaço planejado para abrigar cerca de 400 mil. Hoje a cidade tem uma população aproximada de 2.412.937 pessoas.
A capital foi inspirada em cidades modernas do mundo como Paris e Washington, a partir de uma nova concepção estética urbana, com largas avenidas, ruas simétricas e arborizadas, bulevares, praças, jardins e um moderno sistema de transportes, para a época.
Entre suas praças, seu ar bucólico, entre o conjunto arquitetônico da Pampulha, criado por Oscar Niemeyer, os jardins do paisagista Burle Marx, a pintura de Cândido Portinari, se encontra um povo que faz com que Belo Horizonte não seja apenas uma cidade, e sim várias, que moram subjetivamente dentro de seuas habitantes, criadores ativos de sua história. História esta, construída entre conversas a beira de uma mesa de um bar ou em um almoço de domingo de uma família mineira, compartilhando tradição e cultura de uma Belo Horizonte pessoal, inconfundível e dsitinta, que existe e resiste dentro dos diversos olhares que formam esta cidade.

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