sexta-feira, 28 de maio de 2010

Hoje um aluno me perguntou...


Hoje um aluno me perguntou:
- Professor, o que te faz viver?
E eu respondi - Sonhar, isso me faz viver.
- E o que te faz sonhar?
Bom, essa eu não soube responder, mas a pergunta não quer me sair da cabeça? O que me faz sonhar? Há tantas coisas que querem me fazer não sonhar, tantas realidades não lúdicas que premiam o feio, o injusto e o mau; que bonificam toda a tríade grega do bom, belo e justo. Três conceitos que eram pra ser indissociáveis, mas. Sempre tem um mas no meio da conversa. Sempre vem um mas pra complicar tudo.
Esse ano comecei a dar aulas de filosofia em uma escola estadual que fica em dois bairros de periferia de Sabará, a noite. Já dei aulas antes, inclusive em escola estadual, mas não sei porque dessa vez estou sentindo isso de uma forma diferente (olha o mas ai mais uma vez). Talvez eu esteja diferente, meus olhos, meu ponto de vista, ou apenas a vista. Talvez um pouco mais maduro, um pouco mais velho.
As vezes, mesmo minha carga horária não sendo grande, chego em casa depois do trabalho me sentindo pesado, cansado, meio triste, meio inquieto, meio torto, inadequado. Uma sensação de frustração, de impotência perante as coisas, uma vontade de mudar o mundo, uma vontade de estar ali, de ajudar, uma sensação de não sei muito bem o que. Entretanto sei que algo simples e vivido como a realidade se choca com o que me inspira e me faz sonhar, me fazer não ter esperanças.
Esperança, ta ai, nunca gostei dessa palavra. Ela me passa uma idéia de espera passiva, como alguém que reza e espera por um milagre, mas não age, não vive. Eu não gosto de esperar, gosto de fazer, de agir, de não pensar tanto as vezes. Contudo quem espera sonha e hoje meu sonho não e dos mais legais, afinal, quero apenas continuar sonhando, quero apenas que o tempo não me esfrie, quero que a realidade me impulsione a mais sonhos e novas utopias que me façam caminhar. O ser humano que não sonha morre, precisamos muito dos sonhos, precisamos das utopias para caminhar, pra sair da inércia que nos domina. Não quero que o cenário da educação publica mineira, ou melhor, brasileira deixe inerte minha capacidade de sonhar.