domingo, 2 de agosto de 2009

Inteligência empresarial


Depois de muito tempo uma nova postagem, nem sei se alguém le as bobagens que escrevo mas lá vai. Vamos brincar de misturar filosofia com administração:

No período de pós segunda guerra mundial um administrador poderia ser compreendido como alguém que é responsável pelo trabalho e por seus subordinados. O filósofo austríaco Peter Drucker, que nasceu em 19 de novembro de 1909, em Viena, Áustria e faleceu em 11 de novembro de 2005, em Claremont, Califórnia, EUA e considerado o pai da Gestão, nos diria que a definição de administrador deveria caminhar para aquele que “é responsável pela aplicação e desempenho do conhecimento”. Os grandes ganhos, na conjuntura apresentada pelo mercado, virão do conhecimento, mas o que isso quer dizer? Se antes o que gerava riqueza e poder eram os fatores de produção tradicionais, como o capital, terra e trabalho, hoje é o conhecimento. Assim sendo, os modelos econômicos baseados nos três fatores tradicionais de produção devem ser revistos, no intuito de incorporar o conhecimento como fator essencial de produção econômica.
Recorremos novamente a Peter Drucker (1993) para compreender melhor esse paradigma de mercado, onde o mesmo diz, em seu livro Post-Capitalist Society, que a “questão central para o executivo moderno é ser capaz de usar o Conhecimento para criar novos produtos e serviços”.
O Conhecimento, tão reforçado por Drucker não é algo novo, mas sim um artifício utilizado em todas as grandes civilizações de nossa história. Desde a Grécia antiga encontramos diferentes visões sobre o significado e a função do Conhecimento. Sócrates, os monges Zen-budistas e os monges taoístas compreendiam que a única função do conhecimento era o auto-conhecimento e que este deveria ser usado para o crescimento pessoal. Entretanto, o filósofo chinês Confúcio e Protágoras, nome mais influente do movimento sofista na antiguidade grega, acreditavam que o propósito do conhecimento era fazer com que a pessoa soubesse o que dizer e como dizer.
A partir do final dos anos 70 um grande número de pesquisadores da ciência da informação convenceu-se de que um caminho promissor para a área seria abordá-la sob um enfoque cognitivo (VAKKARI, 1994). Neste sentido, alguns estudos sobre o relacionamento entre a ciência da informação e as ciências cognitivas visavam o entendimento sobre o comportamento de usuários de sistemas, produtos e serviços de informação, ambientes organizacionais para a estruturação de sistemas de informação, implantação de atividades de gestão da informação, de inteligência competitiva, dentre outros. Estes estudos abordavam a questão da informação como elemento gerador de conhecimento, e que o conhecimento se dava quando a informação era percebida e aceita, sendo toda alteração provocada no estoque mental de saber do indivíduo, através da interação com estruturas de informação.
Maturana e Varella (1984) apresentaram, então, a abordagem da Biologia do Conhecer, propondo uma discussão sobre a natureza do conhecer, que parte da premissa de que os seres vivos são sistemas determinados por sua estrutura, numa condição de complementaridade estrutural entre sistema e meio. Para eles, o meio pode somente desencadear uma mudança estrutural no organismo, mas não sob a idéia de que a informação é determinante do conhecimento, e este do comportamento, mas sim de que o meio pode ou não desencadear comportamentos, sendo que esta dinâmica ocorre tanto do meio para o organismo, quanto do organismo para o meio. Nesta perspectiva, somente é informação a “perturbação do meio ‘aceita’ pela estrutura do indivíduo” (BORGES, 2003). O que vai definir a aceitação de uma perturbação como informação é a estrutura biológica do “usuário de informação”, considerando a sua pré-disposição emocional em aceitar tal perturbação, sua história de vida e os domínios de ação por onde transita. O conhecimento é “conduta adequada e ação efetiva em um contexto relacional no qual cada comportamento é um ato cognitivo”, e cognição é “uma ação que depende de interação congruente” (BORGES, 2003). Borges (2003) afirma que os indivíduos têm histórias únicas, interagem de formas diferentes com o meio e, por isso, conhecem e aprendem de formas diferentes.
Ao se adotar os conceitos de informação e conhecimento sob a ótica da Biologia do Conhecer, deve-se considerar os “usuários de informação” como seres humanos individuais e sociais, que possuem suas experiências individuais determinadas por sua estrutura biológica, mas que, ao mesmo tempo, vivem em interação constante com outros indivíduos, ou em diferentes “domínios de ação” (empresa, família, lazer, amigos, etc.). Desta forma, os indivíduos fazem parte de diferentes redes de relações e interações estabelecidas em cada domínio pelos quais transitam, e estas redes influenciam suas condutas no meio (“ato de conhecer”), sua linguagem e suas pré-disposições de aceitar ou não determinada “perturbação” (informação).
Muito se falou e se fala sobre conhecimento sem haver um consenso de uma melhor definição, entretanto não é intuito do presente texto buscar uma definição e sim, apenas ilustrar melhor sobre o que envolve a noção de inteligência empresarial.

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